Seja a pessoa por quem você quer se apaixonar

chuva de coraçoesEu achei que esse ano o dia dos namorados não iria me afetar. Quase passei desapercebida por mais um ano.

Mas hoje é sexta, e sexta já é um dia agitado de qualquer maneira. As pessoas estão falando em sair, e é difícil não lembrar que você vai sair sozinha nos dia dos namorados, até porque o mundo inteiro resolveu falar só nisso hoje.

Eu tenho lido sobre ser sozinho, e sobre querer ter alguém. E sobre o quanto todo mundo quer ter alguém, mas também todo mundo vive sozinho. E a pior parte do dia dos namorados é fazer pessoas que estão bem, felizes, se sentirem mal por estarem sozinhas nesta data.

É uma data, só mais uma. Mas é uma data. Não tem nada de errado com a data, afinal nós seres humanos precisamos de alguns rituais.Para celebrar algo que não está na vida de todo mundo. Algo que é muito bom, das melhores coisas da vida, mas que não é a única coisa boa. Nem é o melhor para todo mundo ao mesmo tempo.

Muito pouca gente celebra quando você conseguiu sair de um relacionamento abusivo, ou quando depois de anos vivendo na inércia você foi super corajoso, parou de empurrar com a barriga e se separou de alguém bacana, mas que você não amava mais.

Amar alguém é bom, é uma boa meta a se perseguir na vida. Mas antes disso é preciso amar a nós mesmas. Como é que alguém pode estar bem com outra pessoa sem estar bem consigo antes? Quantas vezes acabamos despejando todas as nossas frustrações e dúvidas e problemas em cima de alguém que gostou de nós, e vamos aos poucos destruindo uma relação que tinha tudo para ser boa?

Neste dia dos namorados, muita gente queria ter alguém com quem fazer um jantar romantico, ou para receber uma declaração de amor inusitada, ou ganhar um presente criativo. Alguém com quem ficar em casa vendo um filme e fazendo carinho. Alguém que nos trate bem, e nos faça sentir amadas.

Mas podemos fazer isso por nós mesmas! Porque ao invés de comprar as mesmas coisas sem pensar que compramos todos os dias, não tiramos um momento para nos presentear com algo especial e que realmente nos faça bem? Talvez algo que custamos a admitir que queremos.

Porque não cozinhamos para nós nosso prato favorito hoje, ou nos convidamos para ir sozinhas a algum restaurante que amamos e ficamos bem ali, com um livro legal, ou apenas com nosso pensamento?

Porque não paramos de fugir de nós mesmas e sentamos em frente a uma folha em branco e escrevemos uma linda carta de amor, falando tudo o que amamos em nós mesmas, e que apesar dos nossos defeitos estamos “juntas” para sempre?

Se queremos um namorado que goste de esportes radicais, porque não nos matriculamos amanhã numa aula de rapel?

Se estamos a procura de alguém com quem ter conversas intelectuais, porque não começamos a frequentar aulas de literatura ou de filosofia?

Se sonhamos em conhecer o homem protetor que vai nos tratar como uma princesa e que vai abrir a porta do carro e pagar a conta do restaurante, porque não começamos a eliminar nós mesmas da nossa vida tudo o que não nos faz bem, e nos protegemos de situações e pessoas tóxicas? Ou não investimos em nossa formação e nossa carreira para nos desenvolvermos enquanto profissionais?

Porque no final, vamos percebendo que estar com alguém não é completar alguma coisa que falta em nós. É somar. Só pode somar quem está completa, só pode ser uma boa namorada quem é uma pessoa boa consigo mesma.

Talvez estejamos sozinhas neste dia porque precisamos nos apaixonar. Não por um cara lindo, alto e bem sucedido (o que não seria nada mal). Mas por uma menina meio baixinha, ou meio gordinha, ou cuja pele não é igual a da revista, ou que é meio neurótica. Uma menina que está sempre do nosso lado, mesmo quando ela não está aguentando nem olhar para a nossa cara. Sim. Nós mesmas!

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Alguém sabe descrever ansiedade?

Devorando uma Tlayuda em Oaxaca - Mèxico

Devorando uma Tlayuda em Oaxaca – Mèxico

Quais são as palavras para descrever ansiedade? Eu já li vários textos sobre liberdade, sobre tristeza, sobre paz. Mas alguém já conseguiu descrever ansiedade? Alguém já conseguiu ilustrar o sentimento que temos quando parece que tudo vai dar errado sem nem sequer ter começado?

Ou alguém já escreveu sobre o mundo inteiro parecer estar funcionando perfeitamente enquanto a sua vida está uma merda e não há nenhuma esperança para o futuro? Ou aquela vontade inexplicável de comer um bolo de chocolate inteiro mesmo apenas uma hora após o almoço, ou a sua tentativa frustrada de enganar seu organismo comendo uma maça.

“Idiota! Eu sei a diferença entre os dois!”

Já falaram sobre quando pensamos em todas as coisas que temos que fazer, e começamos a fazer listas, e a nos dar conselhos mentais, e ficamos tão ocupadas com toda aquela preocupação com as pendências que nos paralisamos e acabamos não conseguindo fazer nada? Continuar lendo

Hoje não vou fazer as unhas!

Na foto, Isadora Duncan, bailarina pioneira da dança moderna, de personalidade singular e defensora da liberdade feminina!

Na foto, Isadora Duncan, bailarina pioneira da dança moderna, de personalidade singular e defensora da liberdade feminina!

Hoje não vou fazer as unhas! Muito se debate sobre as conquistas femininas nos séculos XX e XXI. Para mim, sem dúvida, a maior das conquistas foi o tempo. Não o tempo abstrato, mas o direito reconhecido de usar o tempo, o direito de ser dona do próprio tempo. As mulheres modernas não querem mais só ter tempo para o salão, ou querem. O fato é que o tempo se tornou algo importante e as unhas impecáveis estão a serviço de algo muito maior. Com o nosso tempo queremos (e podemos) nos satisfazer. Não mais por ser a forma de ocupar o dia, como uma tarefa pré-determinada, uma obrigação. Não estamos mais presas ao conforto do lar, à obrigação da sala de televisão, das rodas de leitura, das tardes de conversa com as amigas, tudo, obviamente, feito em casa. A casa não nos pertence mais, porque somos mais. As barreiras foram rompidas. Onde éramos casa, agora somos rua, somos praça, somos liberdade.

Hoje decidi não fazer as unhas! Quero gastar o meu tempo assistindo televisão, no bar; fazendo uma roda de leitura, no parque; conversando com as amigas, no samba. Continuamos fazendo as mesmas coisas, mas fazemos diferente. Possuir o tempo é algo revolucionário. Clarice Lispector, no livro Água Viva, declara que gostaria de possuir os átomos do tempo. Sempre achei essa declaração de desejo uma inspiração. É como se possuir o tempo, na sua forma mais elementar, permitisse uma infinidade de possibilidades. E o que é ser mulher moderna se não se permitir viver uma infinidade de possibilidades? Quão libertador é ter o direito de ter possibilidades, de não viver um roteiro de vida pré-determinado?

Hoje decidi não fazer as unhas! A possibilidade de escolha tem um poder imperativo e libertador! Ao possuir conscientemente o tempo, revolucionamos os segundos, os minutos, as horas. Hoje decidi não fazer as unhas, pois o infinito se tornou pequeno perto dos meus sonhos e desejos!

Se beber, fique longe do celular!

Deixa-o-celular-em-casaAs bebedeiras sempre rendem muitas histórias que, com o passar do tempo, se tornam engraçadíssimas mas, no dia seguinte, a ressaca moral é sempre uma aflição.

Para nós mulheres, o peso da ressaca moral é sempre infinitamente maior que para os homens. Ser mulher nos dias de hoje não é fácil. Na verdade, nunca foi mas acredito que as contradições estão muito mais evidentes. Temos que ser magras, estudiosas, ter um bom emprego, ser boa mãe, mas quando se trata de encher cara, não podemos, isso é coisa de homem. Afinal, que coisa mais feia é mulher bêbada, não é? Não! Feio é não poder ser o quisermos ser. Não faço apologia ao álcool, mas se preciso for para extravasarmos, por que não? Mas se beber, fique longe do celular! Irei compartilhar um causo desta combinação.

Certa vez estava no show da Gal Costa, tudo divino e maravilhoso e, de repende, percebo um coroa super charmoso me paquerando. Um amigo em comum veio me pilhar para cair nas garras do xuxu, mas eu argumentei que não me interesso por homens mais velhos. Não é preconceito, apenas uma preferência. O show segue lindo, perco a conta do quanto bebi e depois vou para casa refletindo sobre o mundo.

A beleza da noite me contagiou e entrei no facebook, procurei o perfil do boy, me declarei para ele e logo em seguida, tombei na cama. Pela manhã, acordei meio lesa e o primeiro pensamento que surge: será que foi um pesadelo? Oh my god! Ao acessar minha página, constato a concretização do meu desatino.

E depois de mil pesquisas na internet, chego à conclusão que não há como apagar a mensagem. Fui tomada pelo desespero e desativei minha conta do facebook. O dia foi longo e o medo de ter que encarar essa pessoa me deixava apavorada, não parava de pensar o quão louco tinha sido esta situação, não entendia o que me fez tomar essa atitude. Fiquei um bom tempo fora das redes sociais, até hoje não encontrei nenhuma resposta para o ocorrido, mas o tempo passa e hoje é só uma história que nos rende boas risadas.

Acho que temos o direito de sermos felizes e para isso não precisamos de nenhuma receita pronta. Beber sem elegância muitas vezes é tão mais divertido, e se pudermos evitar a ressaca moral, por que não? Apenas lembre-se: se beber, fique longe do celular! Fica a dica!

Texto encaminhado por uma amiga nossa que …. prefere não se identificar! hehehehe

Os mexicanos e a morte

Maio de 2014, San Cristobal de las Casas, sul do México. Terminando de almoçar escuto a música de uns Mariachis se aproximando na rua. Não era por um motivo feliz. Se aproximava um cortejo fúnebre, o mais lindo que já vi na vida. Atrás dos músicos, vinham os familiares e amigos vestidos de preto cantando para se despedir de quem partia. Uma senhora chorava desesperadamente e era apoiada pelos demais.

O sentimento tão triste mas tão bonito daquela última homenagem era contagiante, e parece que todos os que estavam nas proximidades resolveram seguir o funeral pelas ruas daquela linda cidade colonial. Foi uma experiência com a forma mexicana de encarar a morte, que eu registrei apenas na memória em respeito ao sofrimento dos demais.

A morte para nós e para eles

Porta de uma loja de artigos para decoração. Tlaquepaque, Jalisco, México

Porta de uma loja de artigos para decoração. Tlaquepaque, Jalisco, México

Na nossa cultura, existe um ditado que diz que a nossa única certeza é de que algum dia vamos morrer. Mesmo assim, até pronunciar esta palavra para nós é incômodo. Vivemos a nossa vida tratando de ignorar essa certeza, quase que esperando que algum dia encontrarão a fórmula da vida eterna, com sorte a tempo de nos salvar. Não é raro evitarmos ir a funerais ou a cemitérios, de tão incomodo que é, para nós, encarar a morte.

No México parece ser diferente. Entre na primeira loja de artesanato e a única certeza é que encontrará alguma representação de um crânio ou esqueleto. Nas tão presentes pinturas em murais, elementos da morte são facilmente encontrados. E essas caveiras estão sempre retratadas de maneira bem humorada, em situações cotidianas, tomando tequila, enfeitadas com flores. No dia dos mortos, eles comem pães e biscoitos em forma de ossos humanos.

A diferença é que no México, ao invés de ignorar a morte, eles a encaram de frente. Ao invés de ter medo da morte, eles debocham dela. As caveiras sorridentes representando os que já faleceram são como um lembrete insistente de que não somos eternos, de que a nossa passagem por este mundo tem data para acabar.

Uma vez eu escutei um ditado popular que dizia que quando não souber o que fazer, consulte sua companheira mais fiel, que está sempre ao seu lado esquerdo. Este ditado se refere à morte. Não me lembro de alguma vez no Brasil ser aconselhada a considerar a minha morte para decidir algo sobre a minha vida.

A questão é que a nossa maneira de encarar a morte apenas quando ela chega, nos faz perder muito tempo da nossa vida ignorando seus ensinamentos. Assumir a certeza da morte é olhar a vida de outra forma. É se esforçar para viver da melhor forma e, principalmente, da forma mais honesta consigo mesmo.

História campeã das férias

Férias é aquele momento que você desliga da vida real e vai aproveitar o tão merecido descanso. Durante as férias vivemos e escutamos muitas histórias. Mas olha, teve uma que eu não vivi, mas ouvi e, sinceramente, foi a melhor histórias de todas!

Gustavo* é um amigo querido que gosta de tomar umas de vez em quando. Mesmo com tanta cachaça, nunca aconteceu nada com o Gu. Costumamos dizer que o anjo da guarda dele é sinistro! Nesse dia ele estava numa festa muitcho louco. Já tinha bebido todas e mais algumas e queria voltar pra casa, mas não achava a chave do carro de jeito nenhum. Aqui eu imaginei que ele capotaria na sarjeta, mas não foi bem isso que aconteceu.IMG_0008

No dia seguinte ele acorda umas 7 horas e bate a cabeça em algum ferro. Percebe que está dentro de alguma caixa e quando pega o celular pra iluminar vê que é uma caçamba de um carro (!!!!!!). Isso mesmo, ele estava dentro de uma caçamba de um carro que ele nunca viu e dentro da casa de alguém que ele não conhecia. Na noite anterior, muito doido morrendo de sono sem achar a chave do carro, entra na primeira caçamba que encontra para um breve cochilo. Eu perguntei: mas Gu tu não acordou com o cara dirigindo o carro? Ele respondeu: não lembro nem como entrei nessa caçamba, tava muito bêbo.

Quem acha q ele aproveitou que estava cedo para ir embora de fininho está redondamente enganado. Ele fechou a caçamba e dormiu até meio dia!!! Novamente ele abre a capa e não avista ninguém. Apenas sai e pula o muro da casa. Está livre da caçamba e pronto para mais uma história, dessas que você não esquece.

Gu, tu é muito doido.

*nome fictício para não queimar o filme do amigo

 

“Por favor, diga para o mundo que não somos terroristas”

Fasayil demolition, por Rafael Marques

Fasayil demolition. Foto: Rafael Marques

As pessoas tem muito a nos oferecer, basta querer. Eu tive uma enorme sorte de cruzar com um rapaz incrível que, além de compartilhar da mesma maratona diplomática, foi voluntário por 3 meses na Palestina! Colocou tudo em um blog! Leiam só esse trechinho do texto intitulado “Na terra do terrorismo, todo ataque é santo. Na terra santa, todo ataque é terrorista”: ‘Quando visitamos uma família ou encontramos um contato local pela primeira vez, uma das perguntas recorrentes é: “O que você está achando da Palestina?”. Depois de falarmos nossa opinião sobre as pessoas e o conflito, um comentário sempre emerge: “Por favor, diga para o mundo que não somos terroristas”.’

Diante disso, resolvi publicar um texto antigo. Como sempre, minha escrita é particular, sempre misturo a prosa e a poesia, a gramática e a linguística, a política e a filosofia. Mas esse texto fala de coisa séria. Eram dias depois da Copa, o povo brasileiro estava de ressaca. Mas o texto foi escrito em um dia exato. Como esquecer? Crianças morrendo se, a princípio, o Direito Internacional as protegia, as tornava invioláveis? O massacre não parou mesmo violando explicitamente os brandos limites da ordem internacional. Enfim, deixarei o texto falar por si.

Sofrimento anônimo – 30/07/2014

É impossível não pensar na própria existência diante de tanta barbaridade. Eu normalmente não demarco datas nas minhas inspirações. Mas é uma das “guerras” mais terríveis que estou “vivenciando”. As aspas são muito oportunas. Eles chamam de “Guerra”, mas não seria o nome apropriado, nem sequer é poético. É um genocídio. Não é possível comprovar o contrário. 3 civis mortos de uma lado, do outro lado do muro, quase 2000. Esse “outro lado do muro” não tem exército, tem um Estado muito frágil, que sequer é reconhecido pela temerosa “comunidade internacional”. Essa também veio entre aspas pois sua autoridade remonta os mais antigos provérbios maquiavélicos. É pela proibição do uso da força que abusa de sua força. É essa comunidade internacional que respalda o massacre.

As aspas mais dolorosas vem no final, “vivenciar”, entre aspas, pois é diferente de viver. Quem vive in loco, morre. Quem vivencia, somente sofre. Mas, assim como é incomparável o número de mortos de um lado e de outro, é incomparável as lágrimas às gotas de sangue. As lágrimas são subjetivas, progressivas até, mas não passam de apoio. As gotas de sangue são reais. São a morte de (já) milhares de pessoas de todos os tipos, amáveis ou más, queridas ou ambiciosas, certas ou erradas, são pessoas, humanos.

A existência individual se confunde no meio de tanto caos. É nesse momento que a nossa existência é mais testada. É quando não sabemos identificar a tênue linha entre existência e inexistência. Humanista ou Realista? Não é uma pergunta exatamente sobre teorias das relações internacionais. No conteúdo e na prática, reproduzem mais do mesmo, mas são muito talentosos ao escolher o nome de suas correntes teóricas. Que contradição. O grande feito é se rotular. O meu grande conflito é esse. Não quero somente fugir dos rótulos. Quero ser o não-rótulo. Se o não-rótulo é ser mais humana e lembrar que tem gente morrendo por ser povo, por ser refugiado, por ser Palestino, sim, eu sou o não-rótolo.

Não tenho como esconder, estou com os Palestinos. Palestinos com P maiúsculo. Sei que na língua portuguesa não usamos maiúscula para nacionalidades mas, nesse caso, é merecido. É por isso que minha tristeza tem outra explicação. Não estou triste porque perdemos a Copa. E não é porque sou mulher e, a princípio, não entenderia o que é o sentimento futebolístico da derrota. Não só entendo como passo por isso constantemente, sou botafoguense. Não foram os 7×1 que me abalaram. Estou sofrendo com o que vem acontecendo, a dispersão do sentimento de humanidade. Por isso, nesses dias de uma tristonha euforia nacionalista, tenho sofrido anonimamente.

Eles não são terroristas, são humanos!

*sobre a foto desse post: A foto, tirada pelo Rafa, retrata uma demolição na vila de Fasayil, no vale do Jordão. Um Palestino tinha acabado de construir a casa para sua família.A casa, que seria um lar, foi demolida pelos “donos do muro”!

Uma “viagem” sobre a impessoalidade do pau de selfie

selfieMundo moderno: as pessoas passaram a viajar mais sozinhas e isso é maravilhoso. Permitir-se lidar com sua individualidade ao desbravar o mundo é um ato de ousadia. Mas viajar sozinho não significa ficar sempre sozinho. Viajar é humanizar.

O contato com outras culturas, com comidas diferentes, com locais estonteantes não tem significado se não é compartilhado. Você pode compartilhar na viagem ou depois dela (caso faça uma viagem sabática), mas buscará algum meio de registrar a experiência para compartilhá-la (durante ou depois). E não estou falando em compartilhar um novo status nas redes sociais. Compartilhar significa conhecer e trocar histórias e, para isso, não tem jeito: você precisa ter contato HUMANO. Conversar, ouvir, contar. É por isso que tenho tanto estranhamento com o fenômeno “pau de selfie”.

Um pouco sobre fotografia…

Esclareço que o problema não é a selfie em si. Selfies já são um realidade da concepção moderna de fotografia, que se popularizou com o amplo acesso à celulares multifunção. Selfies podem ser bem úteis quando você quer encaixar todo mundo na foto (vide a avalanche de selfies natalinas da famílias completinhas no sofá de casa! Maravilha!).

Ademais, experienciamos sozinhos momentos dignos de registrar e vamos combinar que a selfie ajuda muito. E, ainda, acredito que alguns fotógrafos gostam de se ver em suas fotos, mesmo que por curiosidade. A selfie acaba por unir “o sujeito e seu objeto”.

O que ainda me deixa “curiosa” é essa dispersão dos momentos singulares. Fotografamos de forma rotineira: acorda, selfie; come; selfie; malha, selfie; bebe, selfie. E foto e rotina não combinam. E quando a selfie vem com postagem nas redes sociais a vida passa, a comida esfria, uma possível paquera desiste pois estamos com os olhos presos ao celular, imersos na matrix.

Acabamos mais concentrados em dar satisfação ao mundo do que em viver. A foto, mesmo quando reflete uma imagem do cotidiano, é a guardiã da singularidade. A foto, antes de tudo, é algo especial em forma de imagem.

Até pouco tempo, só existiam no mercado filmes para 12, 24 ou 36 poses (quem abriu um sorriso?). Era necessário escolher o melhor dos momentos para tirar uma boa foto e cada uma guardava a singular essência do momento vivenciado. Quando o filme queimava, ficávamos tristes pois perdíamos uma chance particular. Hoje, não tem feito muita diferença pois é tudo muito igual.

Voltando para o tema viagem…

A questão é que tirar foto na viagem pode ser uma oportunidade para conhecer novas pessoas, novos lugares e novas histórias de vida. Me explico: quem nunca começou um bom papo com a famosa frase “você poderia tirar uma foto pra mim?”.

Aquele indivíduo desconhecido pode agregar algo especial à sua experiência de viagem, você pode ganhar alguma informação que vai ser incrível ou até conseguir uma vaga em alguma excursão bacana (todos esses já foram exemplo reais, inclusive da escritora desse blog ). Tudo isso só por optar pelo simples gesto de compartilhar. E como já disse, a palavra compartilhar não faz sentido de um, é preciso, no mínimo, de dois! “Humanize”!

O interessante é que já existe (ou existia) uma reciprocidade inerente na ajuda ao fotografar. Basta você andar sozinho com a câmera na mão que pessoas vão, espontaneamente, se oferecer para tirar uma foto para você. Elas o fazem pois consciente ou inconscientemente sabem que você está vivendo um momento especial. Por isso são prestativas ao registrar o momento, com você na foto e, obviamente, com o enquadramento muito melhor, coisa que, por mais comprido que seja o tal do pau de selfie, ele não garante.

Eu ainda prefiro a pessoalidade e a singularidade das fotos. Uma viagem especial merece boas fotos, mas boas fotos não são garantidas por uma haste de metal: elas dependem de boas conversas, risadas, emoções, experiências compartilhadas. Por um mundo com menos paus de selfie e mais “você poderia tirar uma foto pra mim?”!

Texto publicado originalmente no blog Planejo Viajar

Sobre viajar sozinha

Ana nas ruínas maias em Tulum - México

Ana nas ruínas maias em Tulum – México

As perguntas que eu mais tive que responder na minha última viagem foi: Sozinha? Porque você veio sozinha? Você só gosta de viajar sozinha?

Viajar desacompanhando é um hábito contemporâneo, inclusive dizem que as mulheres viajam mais sozinhas do que os homens. Mas porque as pessoas decidem viajar sozinhas? É melhor  ou não houve alternativa?

As respostas para esta pergunta são muitas, basta ler os relatos dos milhares de viajantes solitários que publicam suas experiências nos fóruns e blogs de internet para ter uma idéia. E talvez as respostas mais frequentes sejam: “queria me conhecer melhor”; e “não achei companhia e decidi viajar mesmo assim”.

Começa assim: você decide fazer uma viagem sozinha naquele momento “reflexão” na sua vida, coisas a resolver consigo mesmo, adora a experiência. Percebe que conheceu muita gente legal, que não precisou esperar ninguém ficar pronto para sair, que pode dormir até mais tarde no dia que quiser, e que não teve que negociar para fazer nada. Aí sente que viajar sozinha tem uma série de vantagens.

No seu próximo plano de viagem, já não espera nenhum amigo comprar a idéia para que você decida finalmente comprar a passagem.

Realmente tem muitas vantagens em viajar sozinho e não é tão perigoso quanto algumas pessoas pensam. Você vai estar exposto a adversidades e vai ter que tomar cuidado sempre que viajar, independente de estar sozinho, e sempre vai ter pessoas de apoio e referência, principalmente no hotel em que você estiver hospedado.

Já li num fórum a opinião de várias pessoas que têm a opção de viajar sozinho quase como um princípio, que preferem sempre viajar sozinhos. Eu entendo e respeito esta opinião. Uma viagem é sempre um esforço financeiro grande, e nem sempre é bom ter que dividir entre o que me agrada e o que agrada meus companheiros de viagem.

Contudo, acho que também existe muitas vantagens em viajar com amigos, mesmo que a experiência seja diferente. Quando você viaja em grupo, boa parte da expectativa da viagem é a companhia das pessoas e os momentos que passarão juntos – algumas vezes até mais do que a vontade de conhecer determinados pontos turísticos do local.

Ou seja, viajar para cada um tem um significado pessoal, e cada pessoa tem suas expectativas e se protege das frustrações em viagens da sua maneira. O importante é aproveitar, conhecer o lugar, absorver a diferença de clima, de ambiente, de hábitos culturais, com a companhia de amigos ou na companhia do seu próprio “eu”.

Realmente pode valer a pena não cancelar uma viagem que se quer fazer porque ninguém topou. Você pode ter uma experiência bacana da qual vai sempre se lembrar.

Texto originalmente publicado no blog Planejo Viajar

Sobre a arte de fazer xixi na balada

amy xixiQuando você acha que a noite está perfeita e seu nome é diversão, chega o momento drástico de ter que ir ao banheiro. A satisfação do aqui e agora já era. O primeiro obstáculo para essa empreitada é a fila. E, logicamente, quando se está mais apertada aí é que a desgraçada é maior ainda. Mas isso é apenas o começo.

Logo na sequência, é preciso rezar para não pisar em um poça, que mais parece um lago, e ficar torcendo pra ser água. Só que não.

Papel? Uaaaauu! Acho que me dei muito bem. Agradeça a todas as entidades, pois sua experiência será um pouco menos catastrófica. Nesse instante a preparação para o equilíbrio é fundamental, apelar para as respirações da yoga quando já estiver bebinha tá valendo. Afinal, todo cuidado é pouco para não triscar no vazo, segurar a calcinha, que também não pode triscar no vazo (!!!), e ainda ter uma excelente mira pro xixi não cair na beira do vazo, porque se isso acontece já viu né. Xixi na perna, na calcinha e de nada adiantou todo aquele esforço (simplesmente odeio quando isso acontece).

Mas o plus de todo banheiro com certeza é quando não tem como fechar a porta (nem vou entrar no mérito do banheiro químico, porque esse, ainda mais se você tiver TOC, pense no pior pesadelo)!!! Isso mesmo. A porta não fecha.  SO-CO-RRO-! Agora vou ter que me equilibrar, segurar, mirar, rezar e segurar a porta. Jesuis! Ufa. Missão cumprida!

Se ninguém tentar abrir a porta, será magnifico, e você volta pra mesa sem nenhuma história pra contar.